O Ministério da Saúde inaugurou, nesta terça-feira (7), o Memorial da Pandemia, localizado no Rio de Janeiro, em uma homenagem às mais de 700 mil vítimas da covid-19 no Brasil.
Este espaço de memória encontra-se no Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS), que foi reaberto após quase quatro anos de obras de recuperação, com um investimento aproximado de R$ 15 milhões.
O memorial exibe duas instalações principais: pilastras com letreiros digitais que exibem nomes das vítimas da doença, acompanhados de idade e cidade de residência; e uma estrutura em alumínio naval que forma quatro silhuetas humanas de mãos dadas, simbolizando a união social no combate à pandemia.
No mesmo evento, foi lançado o Memorial Digital da Pandemia, um portal online criado em colaboração com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS).
O acervo do memorial será parte de uma exposição itinerante que percorrerá seis capitais brasileiras, de maio de 2026 a janeiro de 2027, começando em Brasília e finalizando no Rio de Janeiro.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a importância do memorial, afirmando que “O Brasil viveu uma crise sanitária e uma crise de responsabilidade pública durante a pandemia. O negacionismo custou vidas. A ciência já demonstrou que grande parte das mortes poderia ter sido evitada se tivéssemos seguido as evidências, incentivado a vacinação e protegido a população.” Ele acrescentou que “Preservar essa memória é essencial para que o Brasil nunca mais repita esse erro e para que a defesa da ciência e da vida seja sempre um princípio inegociável na condução da saúde pública.”
Para junho, o CCMS também sediará a exposição “Vida Reinventada”, sob a curadoria da ex-ministra da Saúde Nísia Trindade. A mostra visa explorar as respostas sociais à pandemia, conectando memória, ciência, arte e justiça.
Guia Nacional de Manejo Pós-Covid
Adicionalmente, o Ministério da Saúde, em colaboração com a Fiocruz, apresentou o Guia Nacional de Manejo das Condições Pós-Covid no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Este documento oferece diretrizes para a identificação, diagnóstico e tratamento das sequelas persistentes da doença, popularmente conhecidas como pós-covid.
O guia se torna a referência única no SUS, substituindo normativas prévias. Ele detalha as manifestações clínicas que podem surgir a partir de quatro semanas após a infecção, mesmo em pacientes com casos leves ou assintomáticos.
O material também aborda complicações em diversos sistemas do organismo, incluindo cardiovascular, respiratório, neurológico e saúde mental, além de apresentar protocolos diagnósticos, recomendações terapêuticas e fluxos assistenciais para a Rede de Atenção à Saúde, com foco em populações vulneráveis.
As ações lançadas nesta terça-feira foram bem recebidas por entidades como a Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (Avico).
Paola Falceta, assistente social e uma das fundadoras da Avico, compartilhou sua experiência pessoal, tendo perdido a mãe de 81 anos no início da pandemia, após infecção por covid-19 em ambiente hospitalar, depois de uma cirurgia cardíaca.
Paola Falceta explicou que “Tanto o memorial quanto o guia de manejo da covid-19 são demandas da nossa associação em conjunto com outras entidades. Elas começam judicialmente no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e são levadas adiante no diálogo com o governo atual.” Ela concluiu, ressaltando que “Algumas pessoas afetadas pela doença não querem mais ouvir falar dela, porque é algo muito doído. Porém, a gente não pode deixar de fazer essa reflexão. É uma questão de memória, de justiça, de verdade e de luta para que não se repita mais a condução irresponsável do Estado dessa emergência de saúde pública.”