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Produção de Robusta Amazônico de Rondônia recebe reconhecimento nacional e internacional

Redação

Da agricultura familiar ao reconhecimento internacional

A cafeicultura em Rondônia experimenta uma das maiores transformações de sua história, elevando o café robusta amazônico de uma commodity comum, utilizada em blends e cafés solúveis, a um produto de alta qualidade e sustentabilidade, com reconhecimento nacional e internacional. Essa evolução é fruto de investimentos em pesquisa, tecnologia e políticas públicas de apoio aos produtores rurais. Os Robustas Amazônicos têm conquistado prêmios, aberto portas em mercados exigentes e impulsionado a economia de milhares de famílias no campo, consolidando Rondônia como referência na produção de cafés especiais da Amazônia.

A modernização da cafeicultura rondoniense está intrinsecamente ligada a políticas públicas que fortalecem o setor. O governo estadual tem investido em iniciativas para estimular a produtividade, qualidade e sustentabilidade, incluindo:

  • Distribuição de mudas clonais de alta produtividade;
  • Assistência técnica especializada aos produtores rurais;
  • Apoio à pesquisa e inovação;
  • Realização de concursos de qualidade;
  • Incentivo à participação em feiras e eventos do setor;
  • Estímulo à exportação do café rondoniense.

Programas estaduais e parcerias com instituições de pesquisa e extensão rural têm sido cruciais para modernizar a produção e ampliar o acesso dos produtores às tecnologias disponíveis.

Para o governador de Rondônia, Marcos Rocha, os resultados refletem uma política pública focada no desenvolvimento sustentável do campo. “Rondônia vive um momento histórico na cafeicultura. O trabalho conjunto entre governo, instituições de pesquisa e produtores rurais transformou o nosso café em um produto reconhecido pela qualidade”, afirmou.

Da produção tradicional ao robusta amazônico de qualidade

A história da cafeicultura em Rondônia remonta à década de 1970, quando famílias produtoras encontraram no café uma fonte de sustento. Por muitos anos, a produção foi associada a um café robusta de baixo valor agregado, comercializado principalmente em mercados tradicionais.

Com o avanço da pesquisa e da tecnologia, esse cenário mudou. O desenvolvimento de clones adaptados ao clima amazônico, a modernização das lavouras e a adoção de boas práticas de manejo resultaram em ganhos significativos de produtividade e qualidade.

Atualmente, Rondônia é o segundo maior produtor de café robusta do Brasil. Na Amazônia, o estado concentra 75,4% da área plantada e responde por 93,8% de toda a produção regional, firmando-se como o principal polo cafeeiro entre os estados amazônicos. Esse avanço também se reflete na produtividade das lavouras, que cresceu consideravelmente nas últimas décadas, impulsionada por tecnologias desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e pela assistência técnica da Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Rondônia (Emater-RO) e da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri).

Qualidade reconhecida dentro e fora do Brasil

Além do aumento da produção, o café rondoniense tem conquistado reconhecimento nacional e internacional pela sua qualidade. Os Robustas Amazônicos se destacam em concursos e eventos especializados, consolidando o estado no mapa dos cafés especiais.

Esse reconhecimento é visível em premiações importantes da cafeicultura brasileira, como o Concurso de Qualidade e Sustentabilidade do Café de Rondônia (Concafé), considerado o maior concurso de café robusta do Brasil. Realizado pelo governo de Rondônia, o Concafé impulsiona a qualidade dos Robustas Amazônicos e dá visibilidade aos produtores, preparando o café rondoniense para conquistas em premiações nacionais e internacionais, como as seguintes:

2025

  • Coffee of the Year 2025: 2º lugar na categoria Canéfora;
  • Florada Premiada: 1º e 2º lugares na categoria de café robusta no maior concurso feminino de café do Brasil.

2024

  • Florada Premiada: 1º, 2º e 3º lugares na categoria Canéfora;
  • Concurso Tribos 2024 (Nota 100): O Cacique Rafael Suruí, da Terra Indígena Sete de Setembro, em Cacoal, recebeu pela primeira vez na história a nota máxima de 100 pontos para um café canéfora.

2023

  • Florada Premiada: 1º e 2º lugares na categoria Canéfora;
  • Coffee of the Year 2023: 2º lugar nesta competição nacional.

Entre os protagonistas dessa transformação está a produtora Ângela Maria Coutinho Pessoa, de Seringueiras (RO), que simboliza a evolução do café rondoniense. Vinda da agricultura familiar, Ângela e sua família construíram uma trajetória de aprendizado e persistência na melhoria contínua da qualidade do café. “É uma felicidade muito grande. A gente já tem cinco anos trabalhando para isso. Quando vem uma premiação dessas é o reconhecimento de todo o esforço, de todo o trabalho”, ressalta. Ângela participa de concursos nacionais desde 2022, acumulando resultados expressivos e figurando entre os melhores cafés do país, alcançando o top 30 e, em 2025, posições de destaque. O trabalho em sua propriedade é coletivo e familiar, envolvendo ela, seu esposo, irmão e cunhada. “É um trabalho em equipe mesmo”, explica.

A evolução também é notada na participação no concurso Florada Premiada, exclusivo para mulheres produtoras. “Comecei em 2022, fiquei em 21º lugar. Depois já fomos para 10º. Em 2024, tivemos terceiro lugar e, em 2025, conquistamos o primeiro. É um caminho de aprendizado, corrigindo erros e melhorando a cada ano”, destaca Ângela. Para ela, o avanço do café rondoniense é um esforço coletivo que envolve produtores, instituições e políticas públicas. “Essa evolução também vem da divulgação feita por entidades como a Embrapa, Cafeicultores Associados da região Matas de Rondônia (Caferon) e o governo do Estado. Isso faz com que o Brasil e o mundo conheçam o café de Rondônia”, afirma. A produtora também enfatiza a importância dos concursos para a geração de renda e valorização do produto. “Além do reconhecimento, esses concursos garantem a compra do café, agregam valor e ainda abrem oportunidades, como viagens e troca de experiências. Isso muda a realidade do produtor”.

Outro destaque é a produtora Fabiana Souza Leal Sanabria, de Espigão d’Oeste (RO), que conquistou o 2º lugar no Florada Premiada 2025, reforçando o protagonismo feminino na cafeicultura estadual. “Conquistar o 2º lugar no Florada Premiada 2025 foi uma grande honra e motivo de muita gratidão. Esse reconhecimento representa, para mim, a confirmação de que todo o trabalho, dedicação e amor colocados na produção do café valem a pena. É também uma prova de que, com cuidado, conhecimento e persistência, conseguimos produzir cafés de alta qualidade”, salientou. Na visão de Fabiana, o reconhecimento do robusta amazônico é resultado de um esforço conjunto, envolvendo produtores, pesquisa, organizações e políticas públicas. Ela vislumbra um cenário promissor para os próximos anos, destacando a capacidade do estado de produzir robustas de alta qualidade e as portas que isso abre nos mercados nacional e internacional.

O movimento de valorização do robusta amazônico também tem sido noticiado pela imprensa internacional. Uma reportagem do jornal britânico The Guardian apontou o fortalecimento do café robusta brasileiro diante das mudanças climáticas que afetam a produção global de arábica, destacando o avanço da produção sustentável e de qualidade no país. Além disso, o robusta amazônico foi tema de publicação em revista internacional especializada em café, reforçando o reconhecimento do produto rondoniense no cenário global. As reportagens enfatizam não apenas a qualidade do grão, mas também o modelo de produção aliado à sustentabilidade e à adaptação às condições climáticas da Amazônia.

Café de Rondônia ganha o mundo: crescimento das exportações

Segundo o titular da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec), Celio dos Santos Ferreira, o avanço da cafeicultura rondoniense é visível no desempenho das exportações, que reflete a crescente valorização dos Robustas Amazônicos no mercado global e a evolução da qualidade do café produzido no estado. “Os números mostram um crescimento expressivo nas exportações de café de Rondônia, saindo de US$ 283 mil em 2022 para US$ 17,5 milhões em 2023 e atingindo US$ 130,9 milhões em 2024. Em 2025, registramos US$ 56,6 milhões, e essa redução não representa perda de mercado, mas sim um movimento positivo de fortalecimento do consumo interno. Hoje, os Robustas Amazônicos estão sendo mais valorizados pelas indústrias brasileiras, o que amplia a demanda nacional e agrega ainda mais valor à produção do nosso estado”, destacou. Nos últimos anos, o café rondoniense alcançou mercados exigentes ao redor do mundo, com destinos como Rússia, Espanha, Vietnã, Colômbia, Bélgica, Alemanha, Itália, Argélia, Panamá e Países Baixos.

Sustentabilidade e identidade amazônica

A sustentabilidade da produção é outro fator que fortalece a reputação do café rondoniense. A região das Matas de Rondônia, principal polo cafeeiro do estado, é reconhecida por sua identidade produtiva e características únicas do grão. A área possui Indicação Geográfica, do tipo Denominação de Origem (DO), que reforça a qualidade do café ali produzido. Estudos indicam que grande parte das propriedades mantém práticas sustentáveis e áreas preservadas, consolidando o café robusta amazônico como um produto alinhado às exigências ambientais do mercado internacional e compatível com as florestas.

Café gera renda e desenvolvimento nos municípios

A cafeicultura desempenha um papel fundamental na economia de Rondônia, sendo uma das principais atividades responsáveis pela geração de renda e desenvolvimento nos municípios do interior. Cerca de 17 mil produtores rurais cultivam café no estado, sendo aproximadamente 90% pertencentes à agricultura familiar, o que reforça o caráter social e inclusivo da atividade.

Em muitas propriedades, o café representa a principal fonte de renda, impulsionando a economia local e contribuindo diretamente para a geração de empregos no campo. Estudos da Embrapa indicam que a produção de café é a atividade que proporciona a maior parte das receitas agropecuárias para 97,2% dos produtores entrevistados na região das Matas de Rondônia, superando atividades como pecuária de corte, fruticultura e produção de leite.

Além disso, a produção de café apresenta um impacto financeiro significativo: entre os produtores analisados na região das Matas de Rondônia, o faturamento anual em 2023 teve uma média de R$ 222,2 mil e mediana de R$ 125 mil por propriedade, evidenciando o potencial da atividade para promover a melhoria da renda no campo. No cenário estadual, o setor se destaca pelo seu peso econômico, com o Valor Bruto da Produção (VBP) estimado em R$ 3 bilhões em 2026, sendo o segundo maior VBP agrícola de Rondônia, atrás apenas da soja. Esse conjunto de fatores demonstra que a cafeicultura vai além da produção agrícola, consolidando-se como uma das principais engrenagens do desenvolvimento econômico e social de Rondônia.

Café indígena eleva robusta amazônico ao nível de excelência

Um dos marcos mais emblemáticos dessa evolução foi protagonizado pela cafeicultura indígena de Rondônia. Na 6ª edição do Concurso Tribos, o cacique Rafael Mopimop Suruí, da Terra Indígena Sete de Setembro, alcançou nota média de 95,11 pontos e recebeu a nota máxima de 100 pontos do jurado internacional Silvio Leite, um feito histórico para cafés canéforas. O lote, considerado próximo da perfeição, destacou-se pela complexidade de sabores e qualidade excepcional, alcançando alto valor de mercado, com microlotes comercializados por quase R$ 4 mil o quilo. O resultado é fruto do Projeto Tribos, iniciativa que une protagonismo indígena, preservação da floresta e produção de cafés especiais, demonstrando que tradição, sustentabilidade e excelência podem caminhar juntas.

Mulheres impulsionam qualidade e protagonismo na cafeicultura

Outro movimento fundamental nessa transformação é o protagonismo feminino no campo. Criado em 2017, o Movimento das Mulheres do Café de Rondônia tem fortalecido a presença das mulheres em toda a cadeia produtiva. Além de promover capacitação e troca de experiências, o grupo tem conquistado destaque em concursos nacionais, como o Florada Premiada e o Coffee of the Year, revelando talentos e elevando o padrão de qualidade dos Robustas Amazônicos. A iniciativa também se consolidou como uma importante rede de apoio, ampliando a visibilidade das produtoras e reforçando o papel das mulheres no desenvolvimento econômico e social da cafeicultura amazônica. Produtoras como Valdelice Buss, de Novo Horizonte do Oeste (RO), Ivonete Nedel, de Nova Brasilândia d’Oeste (RO), e Norma Marcilio, de Alta Floresta do Oeste (RO), que foi a primeira produtora de Rondônia a conquistar o título do Florada Premiada, são exemplos desse protagonismo. Débora Perrut, de Cacoal (RO), representa a nova geração, atuando como barista e levando o café rondoniense ao consumidor com qualidade e identidade.

Robusta amazônico conquista o mercado e redefine a cafeicultura

Um dos sinais mais claros da transformação da cafeicultura em Rondônia é a chegada dos Robustas Amazônicos a mercados cada vez mais amplos. O que antes era um café visto como commodity, utilizado principalmente em blends, hoje ganha protagonismo com identidade própria e alto valor agregado. Esse avanço se reflete, inclusive, no lançamento recente de uma empresa privada que levou ao mercado uma cápsula de expresso 100% robusta amazônico, ampliando o alcance de um produto que nasceu em nichos especiais, como a cafeicultura indígena e o movimento das mulheres, para o consumo em larga escala. Com perfil sensorial marcante, textura encorpada, intensidade elevada e notas de mel, avelã e leve toque salgado, o café das Matas de Rondônia passa a ocupar espaço entre produtos diferenciados no cenário nacional.

Esse movimento consolida uma virada histórica, onde o café passa a ser considerado um verdadeiro símbolo de qualidade, sustentabilidade e inovação. Com investimentos contínuos em tecnologia, assistência técnica e políticas públicas, Rondônia se firma como referência na produção de cafés especiais da Amazônia, levando seu nome a novos mercados e fortalecendo a economia rural. Mais do que uma evolução produtiva, trata-se de uma mudança de percepção, a prova de que o Robusta Amazônico se transformou no cenário da cafeicultura brasileira e internacional, impulsionado por projetos, ações do governo e a força das mulheres no café de Rondônia.

Degusta Rondônia 80+: tecnologia e qualidade que transformam o café amazônico

O projeto Degusta Rondônia 80+ é uma iniciativa do governo de Rondônia que promove a melhoria da qualidade dos cafés produzidos no estado para alcançar bebidas acima de 80 pontos. Produtores participam de capacitações do Degusta Rondônia 80+, aprimorando técnicas para elevar a qualidade dos cafés especiais no estado.

Concafé: o maior evento cafeeiro de Rondônia

Realizado pelo governo de Rondônia, o Concurso de Qualidade e Sustentabilidade do Café (Concafé) tem como objetivo identificar, premiar e valorizar os melhores cafés produzidos com qualidade e sustentabilidade no estado. A premiação do Concafé valoriza o trabalho do produtor rural e impulsiona o café rondoniense para novos mercados.

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