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FIFA 2026: A Copa de US$ 11 Bilhões e o Maior Espetáculo Financeiro da Terra

Redação
Foto: pixabay

A bola ainda não rolou para a abertura oficial, mas nos bastidores financeiros de Zurique, o jogo já está ganho. A Copa do Mundo de 2026, sediada na América do Norte (EUA, Canadá e México), está posicionada para ser não apenas o maior evento esportivo da história em termos de escala, mas um marco econômico sem precedentes.

Pela primeira vez, o torneio contará com 48 seleções e 104 partidas, uma expansão que transforma o calendário esportivo em uma máquina de gerar receitas.

O Salto de Gigante: As Projeções para 2026

De acordo com os relatórios financeiros mais recentes da FIFA para o ciclo , a entidade projeta uma receita recorde que deve ultrapassar a barreira dos US$11 bilhões (estimativas variam entre US$10,9 bi e US$13 bi para o ciclo completo). Somente no ano de 2026, o faturamento deve chegar a US$8,9 bilhões.

Para entender de onde vem tanto dinheiro, precisamos olhar para os pilares dessa “engenharia de lucro”:

Fonte de Receita

Estimativa (2026)

Por que subiu?

Direitos de Transmissão

~ US$ 4,3 bilhõesMais jogos (104 vs 64) e fuso horário premium para o mercado americano.

Ingressos e Hospitalidade

~ US$ 3,1 bilhõesEstádios da NFL (gigantes) e alto poder aquisitivo na América do Norte.

Marketing e Patrocínios

~ US$ 2,8 bilhõesNovos parceiros globais e exploração intensiva de redes sociais.

Licenciamento e Outros

~ US$ 0,7 bilhãoVenda de produtos e direitos de marca em escala global.

O Histórico: A Escada do Lucro (2010 – 2022)

Para medir a magnitude de 2026, é preciso olhar para o retrovisor. A FIFA tem conseguido elevar seu patamar financeiro a cada quatro anos, independentemente do cenário econômico global.

1) Copa da África do Sul (2010): A receita total foi de US$4,1 bilhões. Foi o primeiro grande salto na venda de direitos de TV.

2) Copa do Brasil (2014): O faturamento subiu para US$4,8 bilhões. O mercado brasileiro e a hospitalidade foram pontos fortes.

3) Copa da Rússia (2018): Um novo recorde de US$5,3 bilhões. Mesmo com tensões políticas, os patrocínios chineses salvaram o balanço.

4) Copa do Catar (2022): A FIFA saltou para US$7,5 bilhões no ciclo. A infraestrutura compacta e o investimento estatal massivo impulsionaram os ganhos diretos da entidade.

O Passo a Passo do Lucro: Como a FIFA “Frita o Peixe”

Diferente do que muitos pensam, a FIFA não constrói estádios. Essa conta fica com os países-sede. O modelo de negócio da FIFA é focado em Propriedade Intelectual e Eventos. Veja como funciona:

• Passo 1: Isenção Fiscal. Para sediar a Copa, a FIFA exige que o país-sede ofereça isenções fiscais totais sobre suas operações. Isso significa que quase todo o faturamento entra “limpo” no caixa.

• Passo 2: Venda de Conteúdo. Com o aumento para 104 jogos, a FIFA tem 40 partidas extras para vender aos canais de TV. É mais tempo de propaganda, mais pacotes de streaming e mais assinaturas.

• Passo 3: A “Experiência Americana”. Diferente do Catar, onde o turismo foi limitado pelo tamanho do país, a Copa de 2026 usa estádios de 70 a 90 mil lugares. A FIFA espera arrecadar com ingressos em 2026 o equivalente ao que arrecadou nas últimas três Copas somadas.

• Passo 4: Royalties de Revenda. Uma inovação lucrativa: a FIFA implementou sistemas para capturar até 30% de taxas em transações de revenda de ingressos no mercado secundário, combatendo o cambismo e ficando com uma fatia do lucro extra.

O Destino do Dinheiro

Como uma organização sem fins lucrativos, a FIFA afirma que reinveste a maior parte desse valor (cerca de US$11 bilhões) no desenvolvimento do futebol global através de suas 211 associações membro. No entanto, o custo operacional da Copa 2026 também será o maior já visto: cerca de US$3,8 bilhões para gerir a logística monumental de três países continentais.

A Copa de 2026 não é apenas um torneio; é a consolidação do futebol como o produto de entretenimento mais valioso do planeta, transformando paixão em dígitos que desafiam a lógica econômica comum.

Gostou da análise? O segredo do sucesso da FIFA não é apenas o futebol, mas a gestão estratégica de cada centavo.

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Por Lucas de Sá Pereira, contador , e colunista do Jornal Contábil e criador do instagram

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