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Fiocruz vai produzir remédio de alto custo contra esclerose para o SUS

Redação
Foto: © Marcello Casal JrAgência Brasil

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) iniciará a produção nacional da cladribina oral, um medicamento de alto custo já fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a pacientes com esclerose múltipla. A iniciativa visa reduzir os custos de aquisição e ampliar o acesso ao tratamento para mais pacientes.

Conhecido comercialmente como Mavenclad, o fármaco foi integrado ao SUS em 2023. Ele é destinado a pacientes com esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR) em estágio altamente ativo, caracterizado por surtos frequentes ou rápida progressão da doença, mesmo com terapias de base em uso.

Atualmente, o custo médio do tratamento por paciente é de aproximadamente R$ 140 mil ao longo de cinco anos. Estima-se que cerca de 3,2 mil pessoas no Brasil sofram da doença em sua forma mais ativa.

No entanto, mais de 30 mil brasileiros convivem com a esclerose múltipla do tipo remitente-recorrente, a variante mais comum, que se manifesta por episódios de surtos seguidos por períodos de remissão.

A esclerose múltipla é uma condição crônica degenerativa que afeta o cérebro e a medula espinhal. Sua progressão pode ser lenta ou rápida, e os pacientes apresentam diferentes níveis de comprometimento. Em casos severos, pode levar a consequências graves como cegueira, paralisia e perda de funções cognitivas.

A cladribina destaca-se como o primeiro tratamento oral de curta duração com eficácia prolongada no controle da EMRR, motivo pelo qual foi incluída na Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde.

Estudos recentes, apresentados no 39º Congresso do Comitê Europeu para Tratamento e Investigação em Esclerose Múltipla (ECTRIMS), indicaram que pacientes tratados com o medicamento tiveram uma redução na lesão neuronal em dois anos. Outras pesquisas revelaram que 81% dos usuários conseguiram andar sem auxílio e mais da metade não precisou de medicação adicional.

Parceria Estratégica

A produção nacional será resultado de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) da Fiocruz, a farmacêutica Merck, fabricante do Mavenclad, e a indústria químico-farmacêutica Nortec.

Silvia Santos, diretora de Farmanguinhos, ressaltou que este será o primeiro medicamento para esclerose múltipla a ser produzido pelo Instituto.

Ela complementou que a parceria reafirma o compromisso da Fiocruz com o fortalecimento do SUS e com a promoção do acesso a tratamentos inovadores, produzidos em território nacional, sendo um caminho importante para a transformação de políticas públicas em cuidado real para quem mais precisa.

A produção de Farmanguinhos foca em terapias de alto valor, especialmente para doenças negligenciadas.

Mario Moreira, presidente da Fiocruz, afirmou que essas colaborações fortalecem os laços tecnológicos da Fundação com parceiros nacionais e internacionais, e sublinham o papel estratégico dos laboratórios públicos.

Moreira destacou a importância de consolidar o Complexo Econômico e Industrial da Saúde, para garantir a sustentabilidade dos programas do SUS, gerando empregos especializados, reduzindo preços e mantendo a qualidade dos produtos.

A Fiocruz mantém outros dois acordos de parceria com a Merck, abrangendo a produção de outra terapia para esclerose, a betainterferona 1a, e um medicamento para o tratamento de esquistossomose em crianças.

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