A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) lançará em julho de 2026 um projeto ambicioso para aprimorar a capacidade do agronegócio nacional em prever e monitorar riscos climáticos. Intitulada “Do risco à decisão: soluções inteligentes para antecipação e monitoramento de riscos climáticos na agricultura”, a iniciativa visa reduzir significativamente os prejuízos nas lavouras causados por eventos extremos.
Com um investimento inicial de R$ 2 milhões e duração prevista de 48 meses, o projeto mobilizará uma equipe multidisciplinar de 39 pesquisadores e analistas, distribuídos em 15 unidades da Embrapa por todo o Brasil. O foco principal será o desenvolvimento de soluções para culturas de grande importância econômica, como soja, milho, trigo, arroz, feijão, feijão-caupi, mandioca, uva e maçã. Entre os fenômenos climáticos prioritários para monitoramento estão a seca e a geada, que historicamente causam grandes perdas de produtividade no setor agrícola.
Danilton Luiz Flumignan, líder do projeto, explicou que o objetivo é fornecer aos produtores rurais ferramentas eficazes para antecipar riscos climáticos, otimizando a tomada de decisões. A iniciativa busca, assim, fortalecer a resiliência do setor agrícola frente às mudanças climáticas e prevenir perdas.
Estrutura e Frentes de Atuação
- Desenvolvimento de Indicadores: Criação de metodologias e indicadores para análise de risco climático, incluindo sistemas de alerta precoce.
- Monitoramento Biofísico: Utilização de modelos biofísicos para acompanhar, em tempo quase real, os impactos do clima na produtividade agrícola.
- Plataforma Digital Integrada: Integração de bancos de dados, modelos de simulação e ferramentas analíticas em uma plataforma digital dedicada à gestão de riscos climáticos.
A plataforma digital em desenvolvimento terá como função disponibilizar painéis de visualização e análises detalhadas. Esses recursos apoiarão produtores rurais, gestores públicos e instituições financeiras na avaliação de riscos e na formulação de estratégias. Adicionalmente, a ferramenta poderá contribuir para o aprimoramento de políticas públicas essenciais, como o seguro rural e o crédito agrícola.
A Embrapa ressaltou que este novo projeto complementará iniciativas já estabelecidas, como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A expectativa é que a ampliação da capacidade de resposta seja crucial diante da crescente frequência de eventos climáticos extremos.
Clenio Pillon, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, enfatizou que a iniciativa reflete o compromisso da instituição em converter conhecimento científico em soluções práticas para o campo. Ele destacou que a colaboração entre especialistas em clima, solos, culturas, modelagem e agricultura digital resultará em instrumentos capazes de mitigar perdas, promover a sustentabilidade da produção e elevar a competitividade da agropecuária brasileira.