O cenário de exportação para micro e pequenas empresas tem se expandido significativamente, especialmente após a recente assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Essa iniciativa abre novas portas para que negócios de menor porte acessem mercados globais, seguindo um modelo já consolidado em nações como a Itália, onde a maioria das exportações provém de pequenas empresas.
Com entrada em vigor provisória em 1º de maio, o tratado estabelece uma das maiores zonas de livre comércio global. Ele prevê a isenção imediata de tarifas de importação para mais de 5 mil produtos brasileiros, além de reduções progressivas ao longo de até 15 anos para o bloco sul-americano.
Durante o evento "Conexões Produtivas: oportunidades para a indústria no acordo Mercosul-União Europeia", realizado em 26 de junho em São Paulo (SP) pela ApexBrasil e Sebrae, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, destacou que o acordo representa "a vitória do diálogo e do multilateralismo em uma era de protecionismo", prometendo "abrir oportunidades e propiciar maior integração das cadeias produtivas".
Tatiana Prazeres, Secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), informou que, apesar de a União Europeia ser composta por 27 nações, 72% das exportações brasileiras para o bloco se concentram em apenas cinco países.
Prazeres classificou o acordo como "histórico", ressaltando que sua implementação envolve diversos atores e demanda "capacitação, inteligência e apoio ao exportador brasileiro", com o Sebrae desempenhando um "papel muito importante" nesse processo.
Em reconhecimento a essa necessidade, o Sebrae, em parceria com a ApexBrasil e o MDIC, trabalha na preparação de pequenos empreendedores para a exportação. Vinícius Lages, gerente da assessoria internacional do Sebrae, observa que "pequenos negócios raramente nascem globais" e que o desafio de exportar transcende as tarifas, exigindo "um ajuste de competitividade adequando-se aos padrões globais".
Paulo Henrique Rodrigues Pereira, Ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, apontou que os desafios para pequenos empresários na exportação vão além das tarifas, incluindo aspectos sanitários e regulatórios. Ele enfatizou a importância de incentivar a exportação por micro e pequenas empresas, o que "vai sofisticar as empresas brasileiras".
Brasilidade no Mercado Global
A diminuição ou eliminação de tarifas em produtos brasileiros é crucial para a entrada em um mercado europeu altamente competitivo, onde a "brasilidade" possui um apelo natural, conforme ressaltou Roberto Rosa, diretor de compras e vendas internacionais da Sogenave.
Aloysio Nunes Ferreira, head de assuntos estratégicos da ApexBrasil na União Europeia, alertou sobre a necessidade de adequação às exigências regulatórias do bloco. Ele enfatizou a importância da diversificação, mencionando que o Brasil "exporta de sandálias havaianas a aeronaves".
Ferreira recordou que as negociações do acordo tiveram início há 25 anos, impulsionadas pela preocupação da UE em manter sua influência na América Latina diante do avanço chinês, enquanto o Brasil lidava com a insegurança em relação à internacionalização de sua economia.
O Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, observou que empresas brasileiras afetadas por tarifas impostas pelos Estados Unidos já buscam novos mercados e, com o apoio da ApexBrasil, terão agora mais oportunidades.
O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, expressou otimismo, afirmando que o acordo é "fantástico" e que a "expectativa para os próximos 12 meses é bastante positiva".