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RURALCAST | Apicultura ganha força em Rondônia e amplia oportunidades para produtores indígenas e rurais

Durante o Dia de Campo Paiter Suruí, o técnico e extensionista do SENAR Rondônia, André de Almeida, mostrou como a apicultura deixou de ser uma atividade complementar

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No coração da floresta, as abelhas também ajudam a construir o futuro do agro

Quem caminhava entre as estações técnicas do Dia de Campo Paiter Suruí logo percebia que o café não era o único protagonista daquele encontro. Ao lado das lavouras, outro assunto despertava a curiosidade dos produtores: as abelhas.

Foi nesse ambiente, na Comunidade Lapetanha, dentro da Terra Indígena Sete de Setembro, em Cacoal, que o RURALCAST, podcast apresentado por Adalto Costa, conversou com André de Almeida, biólogo, técnico e extensionista do SENAR Rondônia, responsável por acompanhar produtores e fortalecer uma cadeia produtiva que cresce rapidamente no estado: a apicultura.

Segundo André, a história da apicultura em Rondônia passou por tentativas que não deram certo. Durante muitos anos houve distribuição de equipamentos, mas faltava aquilo que realmente fazia diferença: ensinar o produtor a trabalhar com as abelhas.

"O produtor precisa saber fazer. No momento em que ele sabe fazer, ele mesmo vai atrás dos recursos para crescer."

Foi essa mudança de estratégia que, segundo ele, transformou a atividade a partir de 2019, quando o SENAR passou a investir na assistência técnica continuada.

Assistência técnica mudou o rumo da atividade

Ao invés de entregar equipamentos, o trabalho passou a ser feito dentro das propriedades, acompanhando cada produtor durante o desenvolvimento da atividade.

O resultado apareceu rapidamente.

Em poucos anos, Rondônia saiu de uma única cadeia organizada para sete grupos de apicultores distribuídos pelo estado.

Em Cacoal, onde a assistência técnica começou em 2023, a produção saltou de aproximadamente 1,7 tonelada de mel para 18 toneladas, com expectativa de alcançar 25 toneladas já na próxima safra.

Para André, o segredo está em pequenas mudanças de manejo.

"Não estamos falando de tecnologias caras. São práticas simples que aumentam muito a produtividade."

Ele cita como exemplo propriedades que produziam cerca de 7,5 quilos de mel por colmeia e, após adotarem novas técnicas, passaram a colher aproximadamente 32 quilos por colmeia.

Muito além do mel

Durante a conversa, André fez questão de quebrar uma ideia comum entre quem conhece pouco a atividade.

Quando se fala em apicultura, quase todo mundo pensa apenas no mel.

Mas hoje a cadeia também gera renda com a produção de própolis, cera, rainhas e outros derivados.

Uma das novidades apresentadas pelo extensionista é o uso de coletores simples para produção de própolis.

Com um equipamento de baixo custo, o produtor consegue agregar valor a um produto que pode alcançar preços muito superiores ao do mel.

"São tecnologias muito simples, muito baratas, mas que fazem uma diferença enorme na renda do produtor."

As abelhas também produzem café

Um dos momentos mais interessantes da entrevista aconteceu quando André explicou que a importância da apicultura vai muito além da produção de mel.

As abelhas são fundamentais para a polinização das lavouras.

Segundo ele, muitos cafeicultores passaram a procurar apicultores para instalar colmeias próximas às plantações.

O motivo é simples: onde existem abelhas, aumenta a produtividade e melhora a qualidade dos frutos.

"O produtor percebeu que, se tiver abelhas próximas do café, aumenta a produção e melhora a qualidade."

Essa integração entre cafeicultura e apicultura foi um dos principais temas debatidos durante o Dia de Campo.

Indicador de um ambiente equilibrado

Para André, as abelhas também mostram quando o ambiente está saudável.

Onde elas conseguem viver e produzir, normalmente existe menor uso de defensivos e maior equilíbrio ambiental.

"Se tem abelhas, é um sinal de que o ambiente está equilibrado."

Essa relação é ainda mais evidente dentro das terras indígenas, onde a preservação da floresta favorece o desenvolvimento da atividade.

Organizar para crescer

Outro desafio apontado pelo extensionista é a comercialização.

Produzir mais não basta.

É preciso organizar os produtores, criar entrepostos, ampliar o processamento e fortalecer o cooperativismo.

Segundo André, já existe um planejamento para os próximos dez anos, com criação de novas associações regionais, unidades de processamento e fortalecimento das políticas públicas para a apicultura em Rondônia.

Meliponicultura também ganha espaço

Durante a entrevista, André também explicou a diferença entre apicultura e meliponicultura.

Enquanto a apicultura trabalha com a abelha Apis mellifera, que possui ferrão, a meliponicultura utiliza espécies nativas brasileiras, sem ferrão.

Essas abelhas possuem grande importância ecológica e também despertam interesse econômico, principalmente pela produção de mel voltado ao mercado medicinal.

Além disso, projetos de pesquisa desenvolvidos em parceria com instituições de ensino vêm estudando o papel dessas abelhas na polinização do açaí e de outras culturas amazônicas.

Comunidades indígenas mostram o potencial da atividade

Ao avaliar o Dia de Campo Paiter Suruí, André afirmou que a presença de quatro cadeias produtivas discutindo conhecimento técnico dentro de uma aldeia indígena mostra o quanto a realidade mudou.

Segundo ele, produtores indígenas já ocupam posição de destaque tanto na cafeicultura quanto na produção de mel.

"Hoje nós temos produtores indígenas referência no café e também no mel. Isso mostra o potencial que existe dentro das comunidades."

Para o extensionista, eventos como esse aproximam produtores, pesquisadores e instituições, criando um ambiente de troca de experiências que fortalece todas as cadeias produtivas.

Mel é alimento

No encerramento da entrevista, André deixou uma recomendação simples para quem acompanha o trabalho da apicultura.

"Mel é alimento. Não é para lembrar dele apenas quando alguém fica doente. Precisamos criar o hábito de consumir mel no dia a dia."

A mensagem resume bem o espírito do episódio do RURALCAST. Assim como acontece com o café, o fortalecimento da apicultura passa pelo conhecimento, pela organização dos produtores e pela valorização de um alimento que movimenta a economia, protege o meio ambiente e cria novas oportunidades para o campo.

Assista ao episódio completo

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