Rondônia

Startup paraense de biocosméticos cresce 44% após incubação

Redação

A Mahá Biocosméticos, startup paraense fundada em Santarém pelas farmacêuticas Melissa Karen Lage e Bruna Cantal de Souza durante a graduação na Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), transformou uma pesquisa universitária em um negócio de impacto socioambiental. A empresa, focada em produtos capilares para cabelos cacheados e ondulados, utiliza óleos e manteigas vegetais da Amazônia e tem expandido sua atuação com o apoio de iniciativas de inovação do Sebrae, como a Oka Hub – Incubadora da Floresta. Formalizada em 2021 após participar do programa Inova Amazônia, do Sebrae, a Mahá tem se integrado a ambientes colaborativos para acelerar negócios da bioeconomia.

No último ano, a incubação na Oka Hub proporcionou às empreendedoras acesso a mentorias, capacitações e conexões estratégicas, impulsionando a gestão, o posicionamento de mercado e a expansão da operação da Mahá.

Melissa Karen Lage, sócia da Mahá, destacou que a Oka Hub demonstrou sensibilidade ao avaliar as necessidades da empresa, resultando em um crescimento efetivo e visível nos novos mercados alcançados.

Os produtos da Mahá incorporam ativos amazônicos como andiroba, buriti, pracaxi, murumuru, cupuaçu e ucuuba, sendo desenvolvidos principalmente para cabelos cacheados e ondulados. Melissa explicou que a ideia surgiu da identificação de uma lacuna no mercado, evoluindo para um modelo de negócio baseado em ciência, inovação e valorização da região.

A empreendedora Melissa Karen Lage ressaltou que, embora a ciência seja o alicerce dos produtos, a decisão de usar ativos da Amazônia também gerou o compromisso de fortalecer as comunidades e valorizar aqueles que contribuem para a preservação da floresta.

Além da base científica, a Mahá estabelece uma conexão direta com grupos de mulheres extrativistas, cooperativas e comunidades tradicionais da região, que fornecem as matérias-primas. Um exemplo notável é a colaboração com as Amélias da Amazônia, uma associação de mulheres da comunidade São Domingos, na Floresta Nacional do Tapajós (PA), produtoras de óleos vegetais de andiroba e copaíba.

Esses insumos, presentes em diversas formulações da marca, representam mais do que propriedades cosméticas; eles contam a história de uma cadeia produtiva desenvolvida por mulheres, que converte a biodiversidade amazônica em fonte de renda, autonomia e desenvolvimento sustentável para as comunidades locais.

Marcilene da Silva Costa, uma das ribeirinhas à frente do empreendimento, enfatizou que o uso dos óleos pela Mahá fortalece o trabalho das mulheres da região. Ela descreveu a parceria como uma geradora de renda e valorização do conhecimento transmitido por suas famílias e pela floresta.

Essa estratégia tem fortalecido cadeias produtivas sustentáveis e ampliado a geração de renda local. Em 2025, a empresa alcançou um faturamento de R$36 mil, representando um crescimento de 44% em comparação ao ano anterior, impulsionado principalmente pela venda de kits capilares e máscaras de nutrição. Uma transformação crucial no modelo de negócio da Mahá ocorreu durante o período de incubação na Oka Hub.

Após receber mentorias focadas em escalabilidade e gestão financeira, a startup modificou sua operação, passando de produtos personalizados para linhas fixas. Essa mudança permitiu à Mahá expandir sua capacidade produtiva, mantendo sua identidade científica e socioambiental. Além disso, a empresa estabeleceu uma parceria com a Ekilibre da Amazônia, uma fábrica de cosméticos em Alter do Chão, facilitada pelas conexões da incubadora.

Ciência e conhecimento tradicional caminham juntos

A Oka Hub baseia sua atuação na integração entre ciência, empreendedorismo e saberes tradicionais. O Museu de Ciência da Amazônia (MuCA), localizado em Belterra (PA), serve como ponto físico da incubadora e sedia parte das atividades do ecossistema de inovação. Artur Carvalho, embaixador do MuCA, destacou que o diferencial do espaço reside em aproximar a pesquisa científica das comunidades amazônicas e dos locais de produção dos insumos da bioeconomia.

Carvalho explicou que o MuCA se distingue pela sua proximidade com as comunidades e povos tradicionais, reconhecendo que grande parte do conhecimento científico tem origem nos saberes empíricos dessas populações. Ele afirmou que o objetivo da ciência no local não é substituir esses conhecimentos, mas sim compreendê-los, validá-los e desenvolver soluções a partir deles. Iniciativas como a Mahá Biocosméticos, incubadas pela Oka Hub, exemplificam como a ciência pode impulsionar a inovação e o valor econômico, mantendo a ligação com a floresta e as comunidades locais.

Oka Hub fortalece startups da bioeconomia amazônica

A Oka Hub – Incubadora da Floresta, estabelecida em Belterra (PA) em 2025 com o suporte do Sebrae, congrega 11 startups focadas na bioeconomia amazônica. A incubadora já gerou um aumento médio de 150% no faturamento das empresas incubadas. Seu ecossistema conecta 155 pesquisadores, investiu R$350 mil em bolsas para empreendedores e apoia o desenvolvimento de seis patentes. A iniciativa, que inclui a Mahá Biocosméticos, oferece suporte a negócios em diversas áreas da bioeconomia, como biotecnologia, alimentos amazônicos, biocosméticos e soluções sustentáveis.

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