Rondônia

Restaurante dentro da Floresta Nacional do Tapajós deslancha como referência de turismo de base comunitária na região

Redação

Localizado na Floresta Nacional do Tapajós, no oeste do Pará, um restaurante que começou de forma simples por uma família ribeirinha transformou-se em um modelo de sucesso para o turismo de base comunitária na região. A Casa do Eltom, situada na comunidade de Maguari, está em uma fase de expansão, impulsionada pelo suporte do Sebrae. O empreendimento tem registrado um aumento no número de visitantes, mesmo durante o período de seca do rio, consolidando uma proposta que une a culinária regional, a geração de renda e a conservação ambiental.

Eltom Pacheco fundou o negócio pouco antes da pandemia, ao notar o fluxo crescente de turistas que passavam pela comunidade a caminho da Flona Tapajós. Ele relata: “As pessoas paravam na frente de casa perguntando se tinha comida. Aí eu falei para o meu pai: ‘o dinheiro está passando aqui na frente, bora pegar um pouco’. Colocamos uma placa de pano escrito restaurante. No primeiro dia chegaram duas pessoas. No segundo, vinte. E a gente nem tinha prato nem colher suficiente”.

Com o tempo, a Casa do Eltom evoluiu de um simples restaurante para oferecer uma experiência imersiva completa na Amazônia. O roteiro inclui passeios, oficinas culturais, hospedagem e atividades que refletem o cotidiano da comunidade, como trilhas, observação da fauna, oficinas de biojoias, plantas medicinais, banho de cheiro, pesca esportiva e a tradicional piracaia. Eltom enfatiza: “Hoje a gente vende experiência. E ninguém faz isso sozinho. Toda a comunidade participa e cresce junto”.

As capacitações oferecidas pelo Sebrae foram cruciais para expandir a visão do negócio e fortalecer o turismo comunitário. As consultorias abrangeram melhorias no atendimento, ambientação, paisagismo, gestão e a valorização da identidade amazônica, especialmente em preparação para a COP30. Eltom destaca que, após a COP30, a Casa do Eltom ampliou investimentos em estrutura e experiências amazônicas, e que "a partir das capacitações do Sebrae eu comecei a entender que a gente podia trabalhar a economia da comunidade toda. Hoje, o turismo gera renda para muita gente daqui”.

O crescimento recente também resultou em novos investimentos. Em abril deste ano, a Casa do Eltom finalizou a construção de chalés para hospedagem, um investimento de aproximadamente R$200 mil, viabilizado por conexões promovidas pelo Sebrae. A demanda pelos chalés já indica alta ocupação, mesmo antes da conclusão total das obras.

Para Eltom, o desenvolvimento do turismo sustentável tem um impacto direto na preservação da floresta e na melhoria da qualidade de vida das famílias locais. Ele afirma: “Hoje muita gente já vive do turismo, das trilhas, do artesanato e das experiências que oferecemos aqui. Isso ajuda a reduzir o desmatamento, porque a floresta em pé passou a gerar renda para a comunidade”. Seu maior sonho, segundo ele, é “viver aqui, crescer junto com a comunidade e mostrar que é possível prosperar preservando a floresta”.

Bioeconomia e design impulsionam negócios no Baixo Amazonas

Desde 2024, o projeto Iconografia Local – Bioma Amazônico, desenvolvido pelo Sebrae, tem impulsionado a economia criativa no Baixo Amazonas. A iniciativa transforma elementos da sociobiodiversidade em produtos com identidade regional, reunindo 20 empreendedores em oficinas, mentorias e capacitações focadas em gestão, inovação e acesso a mercados. O trabalho culminou no lançamento de uma publicação durante a COP 30 e beneficiou, além da Casa do Eltom, negócios nas áreas de moda, biojoias, mobiliário e artesanato, todos inspirados na cultura amazônica.

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