Da agricultura familiar nasceu o Café Chaleira Quente
Mostrar que Porto Velho também tem potencial para produzir café de qualidade foi uma das principais mensagens deixadas por Maria José Borges da Silva durante sua participação no RuralCast.
A propriedade da família está localizada na região da BR-319, km 17, Linha C-01, Ramal do Tio, em Porto Velho. A iniciativa surgiu da busca por uma nova fonte de renda para a agricultura familiar.
“A nossa iniciativa começou com aquele engajamento de ter uma renda familiar.”
Segundo Maria José, a família decidiu experimentar o cultivo para descobrir se o café realmente produziria bem nas condições locais. A resposta veio da própria lavoura.
“Vamos montar um café pra ver se dá em Porto Velho.”
E deu certo. No momento relatado durante a entrevista, a família estava há cerca de três anos na atividade e havia avançado para aproximadamente dois hectares plantados, após iniciar a produção com cerca de 3 mil pés em um hectare.
Robusta amazônico produzido artesanalmente
O Café Chaleira Quente trabalha com o robusta amazônico e mantém uma característica importante: o processo artesanal.
Maria José explicou que o consumidor pode encontrar um produto puro, sem misturas, além de escolher diferentes formas de preparação.
“É um café puro, sem mistura, aquele café artesanal.”
A produtora destacou ainda a possibilidade de adquirir o café em grãos para moagem no momento do consumo e opções de torra clara, média ou escura, conforme a preferência do cliente.
Produzir café de qualidade começa pelo solo
A entrevista também mostrou que até uma xícara chegar à mesa existe um longo processo.
A preparação começa antes mesmo do plantio. Maria José explicou que são necessárias análise do solo, correções e acompanhamento técnico.
“É muito trabalho.”
A acidez do solo exige atenção especial e, na visão da produtora, é necessário primeiro preparar corretamente a terra para depois receber as plantas.
“Ela está doente, vamos curá-la primeiro, pra depois você levar o plantio para o chão.”
Após o plantio, o acompanhamento continua com nutrição, controle de pragas e cuidados diários com a lavoura.
Colheita manual e maturação fazem diferença
Um dos diferenciais apresentados no programa está na colheita.
No Café Chaleira Quente, o processo é realizado manualmente, buscando colher os frutos maduros antes da etapa de secagem natural.
“Você colhe ela manualmente, colhe todos os grãos maduros, leva pra secar no sol.”
Maria José explicou que a maturação interfere diretamente na qualidade final.
“Quanto mais maduro, melhor. O grão melhora a maturação, melhora o sabor.”
A colheita é iniciada quando a lavoura apresenta um nível adequado de maturação, citado na entrevista em torno de 80%.
Secagem exige atenção ao clima amazônico
Depois de colhido, o café passa por lavagem e secagem natural.
Os grãos são colocados sobre lona, evitando contato direto com o chão. No fim do dia, precisam ser recolhidos e protegidos contra sereno e chuva.
Essa etapa exige atenção constante, especialmente diante das mudanças rápidas do clima amazônico.
O trabalho artesanal continua na torra. Maria José contou que o processo começou de maneira ainda mais manual e posteriormente recebeu alguma mecanização, inclusive para reduzir a exposição ao calor durante o trabalho.
“É o sabor da Amazônia”
Solo, clima, manejo e maturação contribuem para formar características próprias do café produzido em cada região.
Maria José resumiu a identidade do produto de forma direta:
“É o nosso sabor, o sabor da Amazônia.”
Para a produtora, estar no coração da Amazônia influencia características como sabor, aroma e corpo do café.
“Cada fator de região influencia no sabor, no aroma, no cheiro, naquele corpo, no café.”
A produtora também destacou a evolução da cafeicultura de Rondônia, especialmente em relação às novas formas de manejo e à preocupação crescente com sustentabilidade.
Mão de obra e insumos estão entre os principais desafios
Apesar dos avanços, produzir café artesanalmente ainda apresenta obstáculos importantes.
Entre eles, Maria José apontou a escassez de mão de obra.
“O desafio pra nossa Chaleira Quente [...] é mão de obra.”
Como se trata de agricultura familiar, marido, filhos e outros parentes participam diretamente das atividades.
Outro problema está no custo dos insumos. Segundo a produtora, alcançar maior qualidade exige também maior investimento.
“Quanto mais você investe na qualidade do seu café, mais ele vai te dar um sabor melhor.”
Além da qualidade, os cuidados também podem refletir no volume produzido pela lavoura.
Da família diretamente para o consumidor
Atualmente, o Café Chaleira Quente trabalha principalmente com venda direta ao consumidor final.
Maria José explicou que a própria família realiza as etapas de produção e comercialização, sem depender de atravessadores.
“A gente está fazendo todo o processo e produzindo na propriedade.”
Mas existe um objetivo maior: fazer o café produzido em Porto Velho chegar a novos municípios, outros estados e, futuramente, até ao mercado internacional.
“Levar o café além do nosso município, estado e país e até pisar no exterior.”
Para alcançar esse próximo estágio, Maria José ressaltou a importância de incentivos que ajudem pequenos produtores a ampliar sua estrutura e acessar novos mercados.
Orgulho de plantar, colher, produzir e ver alguém consumindo
Um dos momentos mais marcantes da entrevista aconteceu quando Maria José falou sobre a sensação de encontrar alguém consumindo um produto que nasceu do trabalho da própria família.
“É muito gratificante saber o trabalho ali, a produção da família.”
O sentimento ganha ainda mais significado diante do tempo necessário para produzir. Da floração à maturação, são meses de cuidados, seguidos pela colheita, secagem, beneficiamento, torra e preparação para comercialização.
Por isso, ver consumidores indicando, fotografando ou compartilhando o produto representa o reconhecimento de todo esse processo.
“É muito gratificante. Vale a pena.”
2ª AGROTEC abre espaço para os sabores da Amazônia
O Café Chaleira Quente participou da 2ª AGROTEC no espaço dedicado aos Sabores da Amazônia, onde diferentes produtores puderam apresentar seus cafés ao público.
Maria José elogiou a estrutura disponibilizada e destacou a oportunidade de apresentar o produto pelo segundo ano consecutivo.
A presença desses produtores na feira demonstra como a cafeicultura vem conquistando espaço também em Porto Velho, unindo agricultura familiar, identidade regional e geração de renda.
“Quem planta, colhe”
Ao encerrar sua participação no RuralCast, Maria José voltou à principal mensagem que desejava transmitir: Porto Velho produz café.
“Aqui a gente fala um pouco da nossa cultura, do nosso produto e mostra que Porto Velho mais uma vez produz.”
E resumiu a trajetória familiar em uma frase:
“Quem planta, colhe. E nós colhemos café.”
Assista ao episódio completo do RuralCast:
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