O debate sobre desenvolvimento sustentável, muitas vezes percebido como algo distante, materializa-se no cotidiano rural, influenciando a produção de alimentos e a participação ativa da comunidade nas decisões. Essa perspectiva foi o cerne das discussões na Agrotec, realizada nesta quinta-feira (27), que focaram na proposta de criação do Observatório Rondoniense dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
A voz do campo no debate
Débora Soares, coordenadora do Movimento de Mulheres Camponesas e residente da Estrada dos Periquitos, na zona rural de Porto Velho, sublinha a importância de transformar a sustentabilidade em prática. “Falar em desenvolvimento sustentável hoje é falar de agroecologia. Começa dentro da nossa casa, na separação do lixo, em não poluir o meio ambiente e na produção de alimento saudável”, declarou. Ela também enfatizou que a ocupação desses espaços serve como um catalisador para a participação de outras mulheres. “Eu acho importante estar aqui, mas não acho suficiente. E se eu formasse outras Déboras para participarem de várias articulações? É isso que fazemos: trabalhamos para que as mulheres tenham autonomia para falar”, acrescentou.
Monitoramento e resultados
A advogada Cândrica Silva, membro do Instituto Rondoniense de Direito Administrativo, explicou que o Observatório será fundamental para acompanhar a implementação da Agenda 2030, permitindo a identificação dos progressos e dos desafios. “O Observatório é imprescindível porque convoca a sociedade para um espaço de escuta, decisão e fiscalização. Será possível acompanhar o que está avançando, o que não está e entender o porquê”, pontuou.
Douglas Bener, secretário municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, destacou a Agrotec como um palco consolidado para esse intercâmbio de ideias. “Trazer os ODS para dentro da feira permite ouvir quem produz, quem vive no campo, as instituições e diferentes setores da sociedade. Essa participação é fundamental para pensar o desenvolvimento sustentável a partir da nossa realidade”, afirmou.
O prefeito Léo Moraes ressaltou que a integração da sociedade nas decisões contribui para a formulação de políticas públicas mais alinhadas às necessidades da população. “Os ODS nos ajudam a pensar a cidade que queremos construir, com desenvolvimento, responsabilidade e qualidade de vida para as próximas gerações”, comentou.
Educação como base da mudança
Retomando a discussão sobre as futuras gerações, Débora Soares reforçou a centralidade da educação nesse processo. “A gente precisa começar a trabalhar desde as bases, na escola. Tudo começa através da educação”, concluiu.