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ASSISTA: Café Fuzinato transforma dedicação familiar em reconhecimento estadual e nacional

Produzido em Rolim de Moura, café artesanal da família Fuzinato conquistou o 10º Concafé, o primeiro lugar na Zona da Mata e ficou entre os 30 melhores do Brasil

Redação Olá Rondônia / RuralCast
Foto: Olá Rondônia / RuralCast

Paixão pelo café atravessa gerações

A história de uma família que transformou conhecimento, trabalho e paixão em um dos cafés mais premiados de Rondônia foi apresentada em mais uma entrevista do RuralCast, podcast do Grupo Amazun, durante a 2ª AGROTEC, em Porto Velho.

Entrevistado pelo apresentador Lenilson Guedes, o produtor José Norberto Fuzinato falou sobre a trajetória do Café Fuzinato, produzido artesanalmente em Rolim de Moura, na região da Zona da Mata.

O empreendimento é conduzido pela própria família, que participa do cultivo, da colheita, do beneficiamento e da comercialização.

“É uma produção familiar de verdade. A família Fuzinato produz e comercializa esse café, sempre voltada à qualidade e aos cafés especiais”, afirmou José Norberto.

Descendente de italianos e natural do Paraná, o produtor mantém uma relação com a cafeicultura desde a infância. Ao chegar a Rondônia, acompanhou as mudanças que transformaram uma produção baseada em baixa tecnologia em uma atividade cada vez mais profissional e reconhecida.

“Desde pequeno eu mexia com café. Quando viemos para Rondônia, trouxemos variedades que conhecíamos, mas naquele tempo não existia a tecnologia que temos hoje”, relembrou.

Café Fuzinato representa Rolim de Moura

Durante a entrevista, José Norberto ressaltou o orgulho de levar o nome do município e de Rondônia para diferentes mercados e concursos.

“Para nós é uma honra representar Rolim de Moura e o estado de Rondônia em nível nacional”, declarou.

A presença na AGROTEC também foi considerada uma oportunidade para apresentar o produto a novos consumidores, ampliar contatos comerciais e demonstrar o potencial da agricultura familiar.

“É muito gratificante participar desta feira, principalmente para quem produz qualidade”, acrescentou.

A exposição em eventos fortalece a marca e ajuda o público a compreender por que um café especial possui características e valores diferentes de um produto convencional.

Amor e dedicação são os primeiros ingredientes

Questionado sobre o que levou o café da família a se destacar, José Norberto apontou a dedicação como o principal fator.

“O que faz o café vencer é o gosto pelo trabalho, a dedicação e o amor. Tudo o que fazemos é com amor”, afirmou.

O produtor relembrou um conselho recebido do pai e que continua orientando o trabalho da família.

“Meu pai sempre dizia que quem tem amor pelo que faz vai longe. É preciso seguir adiante, produzir e fazer as coisas bem-feitas”, contou.

Na propriedade, a qualidade não é tratada como uma etapa isolada. Ela começa na implantação da lavoura e continua até o momento em que o café é embalado e comercializado.

10º Concafé consagrou a qualidade do produto

O trabalho da família ganhou projeção com a conquista do 10º Concurso de Qualidade e Sustentabilidade do Café de Rondônia — Concafé, realizado em 2025.

O lote do Café Fuzinato alcançou 90,38 pontos e conquistou o primeiro lugar na categoria geral e na Regional Zona da Mata. A premiação oficial foi registrada em nome da produtora Débora Cristina Buziquia Fuzinato, integrante da família e do empreendimento.

“Fomos campeões em 2025 e campeões da Zona da Mata. Foi uma grande honra representar o nosso estado”, comemorou José Norberto.

Além do reconhecimento, a conquista rendeu à família um trator avaliado em aproximadamente R$ 240 mil e aumentou a procura pelo café.

“Ganhamos um trator e surgiram várias oportunidades. As vendas aumentaram muito, e tudo isso agregou valor ao nosso trabalho”, relatou.

O resultado reforça a força do café canéfora produzido em Rondônia e coloca Rolim de Moura entre as referências estaduais em qualidade.

Entre os melhores cafés do Brasil

O Café Fuzinato também participou do Coffee of the Year Brasil 2025, realizado em Belo Horizonte, e ficou entre os 30 melhores cafés do país, conforme divulgado pela própria marca.

A classificação ampliou a visibilidade nacional do produto e aproximou a família de compradores e consumidores interessados em cafés especiais.

“Participamos de competições e ficamos entre os 30 melhores do Brasil. Isso levou o conhecimento do Café Fuzinato para outros lugares”, destacou.

A família também começou a apresentar o produto fora do país. José Norberto contou que um de seus filhos vive na Irlanda e levou unidades do café para divulgação e comercialização.

“Nosso filho mora na Irlanda e já está levando o café para lá. Aos poucos, o produto está chegando a outros mercados”, afirmou.

Busca pela qualidade começou com assistência técnica

A conquista não aconteceu de maneira imediata. José Norberto contou que a família começou a transformar o sistema produtivo depois de buscar conhecimento em instituições como Emater, Embrapa e Senar.

“A Emater apareceu em nossa propriedade e começou a prestar assistência. Depois, fui procurando informações na Embrapa, no Senar e onde mais fosse possível”, relatou.

O acompanhamento técnico despertou o interesse pela produção de cafés de maior qualidade. A partir de 2021, a família intensificou o trabalho de seleção de materiais genéticos, organização das lavouras e aperfeiçoamento do pós-colheita.

“Em 2021, o técnico Marcelo foi à nossa propriedade e disse: ‘O café é bom, vamos fazer qualidade’. Como sou apaixonado, respondi: ‘Vamos para cima’”, relembrou.

Naquele mesmo período, a família enviou uma amostra para avaliação e ficou entre os 40 cafés selecionados no estado. O resultado mostrou que havia potencial, mas também indicou a necessidade de continuar melhorando.

Clones foram plantados separadamente

Uma das decisões mais importantes foi organizar a lavoura por materiais genéticos. A família plantou clones em linhas separadas, permitindo colher e processar cada um individualmente.

“Plantamos cada rua com o seu clone. Assim, conseguimos colher frutos totalmente maduros e saber exatamente qual clone estamos trabalhando”, explicou.

Quando diferentes clones são misturados, frutos com ciclos distintos de maturação podem ser colhidos juntos. Isso dificulta a padronização e pode interferir no perfil sensorial.

Entre os materiais testados na propriedade, José Norberto citou os clones 25, R22, 010 e outros selecionados para novas fermentações.

O lote premiado foi produzido com o clone 25, que apresentou resultado sensorial expressivo.

“Fomos campeões com o clone 25, mas já estamos fazendo fermentações com outros clones. Continuamos pesquisando e buscando novos resultados”, afirmou.

Solo, adubação e irrigação influenciam a bebida

A qualidade começa muito antes da colheita. Para José Norberto, o preparo do solo, a adubação, a irrigação e o controle dos problemas fitossanitários influenciam diretamente a formação dos frutos.

“Começa no plantio, com a terra bem trabalhada e a adubação na cova. A irrigação e a fertilidade precisam ser acompanhadas durante todo o desenvolvimento”, explicou.

O produtor afirmou que busca reduzir ao máximo o uso de defensivos, realizando intervenções somente quando necessárias e no momento adequado.

O cuidado é ainda maior no período de floração e enchimento dos grãos, etapas decisivas para a produtividade e para a qualidade final.

“Se aparecer cochonilha, broca ou algum problema depois da florada, é preciso fazer o controle na hora certa para não prejudicar a flor nem o grão”, ressaltou.

A irrigação também permite melhorar a regularidade da lavoura em períodos de calor intenso e deficiência hídrica.

Clima de Rondônia impõe desafios

O calor elevado foi apontado como um dos desafios enfrentados pelos produtores. Apesar disso, as variedades de café canéfora possuem características que favorecem a adaptação às condições amazônicas.

“A dificuldade de Rondônia é o calor, mas o robusta possui capacidade de suportar essas temperaturas”, observou.

Ao longo dos anos, produtores, técnicos e pesquisadores selecionaram materiais adaptados ao clima e aos sistemas produtivos locais. Esse trabalho ajudou a consolidar os chamados Robustas Amazônicos.

Os cafés canéforas de Rondônia vêm alcançando espaço em concursos nacionais e internacionais graças à combinação de genética, ambiente, manejo e processos de pós-colheita.

Frutos maduros são essenciais

O momento da colheita é decisivo para a qualidade. Na propriedade da família Fuzinato, os lotes destinados aos cafés especiais são colhidos quando apresentam alta porcentagem de frutos maduros.

“Para fazer qualidade, deixamos o café amadurecer. O especial precisa ter mais de 90% dos frutos maduros”, explicou José Norberto.

Segundo o produtor, a colheita voltada à qualidade começa mais tarde do que em muitas lavouras convencionais, geralmente a partir de junho.

“Quem faz qualidade começa a colher de junho para frente. Nós esperamos a maturação”, afirmou.

A espera permite concentrar a colheita nos frutos que alcançaram maior desenvolvimento. Antecipar excessivamente o processo aumenta a presença de grãos verdes, que podem provocar adstringência e defeitos na bebida.

Colheita manual e mecanizada

A propriedade utiliza diferentes métodos de colheita, conforme o lote e a finalidade do produto.

Os cafés fermentados e voltados aos concursos recebem seleção mais rigorosa e participação manual. Já os lotes naturais e tradicionais podem contar com equipamentos de colheita e recolhimento.

“O café fermentado é trabalhado manualmente. Nos cafés naturais e tradicionais, temos máquinas para colher e recolher, mas todos são lavados, escolhidos e separados”, detalhou.

Independentemente do método, a família procura retirar frutos inadequados e separar os chamados “boias”, que apresentam menor densidade e podem indicar problemas de formação.

A seleção reduz defeitos e aumenta a uniformidade do lote.

Fermentação controlada dura cerca de 15 dias

O café que conquistou a premiação passou por um processo de fermentação prolongada e controlada.

Depois da colheita e seleção, os frutos maduros são colocados em recipientes apropriados. O processo dura aproximadamente 15 dias, até a redução da atividade fermentativa.

“Colocamos somente os frutos maduros nos recipientes e deixamos fermentar por cerca de 15 dias, até o processo parar”, explicou.

A fermentação pode desenvolver novos aromas, sabores e níveis de complexidade. Entretanto, exige conhecimento, higiene e acompanhamento, pois falhas podem comprometer todo o lote.

Após essa etapa, os grãos passam por uma nova seleção antes da secagem.

Secagem utiliza apenas ventilação

O método de secagem foi um dos diferenciais destacados por José Norberto. O café é distribuído em camadas finas dentro de um secador estático e recebe ventilação, sem aplicação direta de fogo.

“Colocamos o café em camadas finas no secador estático e usamos somente ventilação. Não colocamos fogo”, revelou.

O objetivo é retirar a umidade de maneira lenta e uniforme, preservando as características formadas durante a fermentação.

“Existem vários métodos, como terreiro suspenso ou secador com fogo, mas qualquer diferença pode interferir na qualidade. Fomos campeões com esse nosso sistema”, acrescentou.

A secagem inadequada pode causar fermentações indesejadas, mofo, perda de aromas ou falta de uniformidade.

Torra revela diferentes perfis

O Café Fuzinato é comercializado em diferentes versões. A torra escura atende consumidores que preferem um café mais intenso e tradicional. A torra média procura preservar e revelar melhor as características sensoriais dos grãos.

“A torra escura lembra o café tradicional. Já a torra média busca o sensorial e mostra melhor aquilo que o grão possui”, explicou.

O café fermentado premiado é produzido em quantidade limitada e destinado principalmente a consumidores interessados em degustação e experiências sensoriais.

“O fermentado é um café de degustação, o mesmo perfil que levamos para os concursos”, destacou.

Os preços refletem as diferenças de processo, volume e seleção. Na época da entrevista, José Norberto informou valores aproximados de R$ 80 por quilo para a torra escura, R$ 100 para a torra média e R$ 160 para o lote fermentado campeão.

Mais de 500 famílias investem em cafés especiais

José Norberto ressaltou que o crescimento da cafeicultura de qualidade não se limita à família Fuzinato.

Segundo ele, centenas de famílias rondonienses já trabalham com cafés especiais e contribuem para fortalecer a reputação do estado.

“Temos mais de 500 famílias produzindo café especial. Isso já não está restrito a Rondônia; estamos conquistando espaço em Belo Horizonte e até fora do país”, afirmou.

A participação coletiva cria uma nova imagem para o café canéfora. Durante muito tempo, a espécie foi associada apenas a produtos convencionais. Os resultados recentes demonstram que ela também pode apresentar elevada qualidade e complexidade sensorial.

O 10º Concafé reforçou essa evolução ao reunir lotes de diferentes regiões e reconhecer cafés com pontuações superiores a 90 pontos.

Premiação ampliou o mercado

Depois das conquistas, o Café Fuzinato passou a receber maior procura. A família avançou na regularização, ampliou os contatos comerciais e começou a inserir o produto em estabelecimentos de Rolim de Moura.

“Agora estamos no mercado, temos documentação e condições para ampliar. A premiação aumentou muito as oportunidades”, declarou.

A comercialização é realizada por encomendas e em pontos parceiros. A família também analisa a entrada em mercados, respeitando a quantidade que consegue produzir sem comprometer a qualidade.

Para José Norberto, crescer de forma responsável é mais importante do que aumentar rapidamente o volume.

“Podemos ter fama, mas precisamos manter os pés no chão e fazer tudo bem-feito”, ponderou.

Meta é crescer mantendo o padrão

O lote campeão recebeu quase 91 pontos, resultado que coloca o produto entre os cafés especiais de alta qualidade.

“Nosso café chegou perto de 91 pontos. Continuamos buscando melhorar e já enviamos novos lotes para concursos”, contou.

O produtor reconhece que outras famílias também podem alcançar resultados superiores e considera essa competitividade positiva para a cafeicultura estadual.

“Pode ser que alguém faça melhor do que nós, assim como fizemos melhor em determinado momento. O importante é continuar buscando o melhor que pudermos”, afirmou.


Assista à entrevista completa no canal Olá Rondônia:


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