Rondônia

Cooperacre busca ampliar exportação diversificando produtos da sociobiodiversidade na Amazônia

Redação

A Central de Cooperativas do Acre (Cooperacre) planeja diversificar seu portfólio de exportação, buscando consolidar novos mercados e ampliar a presença internacional de produtos extrativistas e da agricultura familiar. Essa estratégia de expansão e o fortalecimento do modelo socioambiental acreano foram os principais temas da visita de Rodrigo Soares, presidente do Sebrae, a Xapuri, município reconhecido como o berço histórico do movimento ambientalista e da luta dos seringueiros na Amazônia.

Durante a agenda institucional, focada em conhecer experiências bem-sucedidas de desenvolvimento territorial, inclusão produtiva e conservação ambiental, o presidente do Sebrae ressaltou que a organização coletiva é essencial para a competitividade dos pequenos negócios no setor rural.

“Participar de uma cooperativa é estratégico para pequenos produtores e empreendedores, pois permite ganhar escala, reduzir custos e acessar mercados que, individualmente, seriam mais difíceis de alcançar”, declarou Rodrigo Soares.

Cabe ao Sebrae apoiar esses arranjos para criar condições para que o empreendedor consiga chegar ao mercado, negociar melhor e permanecer nele.

Rodrigo Soares, presidente do Sebrae

Do legado extrativista às cadeias globais de valor

A visita técnica explorou a história do município, desde os ciclos da borracha, os movimentos de "empate" liderados por Chico Mendes e a criação das primeiras Reservas Extrativistas (Resex), até a evolução para arranjos produtivos contemporâneos, que priorizam a inovação e a agregação de valor aos recursos da sociobiodiversidade.

Um dos destaques foi a Cooperativa Agroextrativista de Xapuri (Coopexapuri), uma unidade integrada à Cooperacre que serve de referência em gestão e impacto social. Com aproximadamente 600 cooperados e atendendo a mais de 500 produtores diretos e indiretos em Xapuri, a Coopexapuri demonstra a capacidade da economia florestal de se inserir em mercados de alto valor agregado. Um exemplo notável é o fornecimento regular de borracha natural nativa para a marca de calçados francesa VEJA.

Sebastião Nascimento de Aquino, representante do Conselho de Gestão da Cooperacre, afirmou que o progresso nas exportações — que no último ano atingiram 11 países com o apoio do Sebrae e da ApexBrasil — agora demanda a ampliação da variedade de produtos.

“O trabalho importante para a gente é a busca por mercado. Já temos o mercado da castanha um pouco mais consolidado, estamos avançando na borracha com a empresa francesa e agora queremos diversificar com frutas e café. Aumentar a quantidade de produtos beneficiados significa, automaticamente, incluir mais famílias”, destacou Aquino, mencionando que a Cooperacre beneficia atualmente quase 3 mil famílias em todo o Acre, das quais 352 estão em Xapuri.

Diversificação e autonomia do produtor

A mudança da dependência histórica de intermediários para uma gestão profissionalizada alterou a dinâmica socioeconômica das comunidades. José de Souza Araújo Filho, tesoureiro da Coopexapuri, conhecido como Zezinho, recorda que a cooperativa foi criada para oferecer formalidade jurídica e capacidade comercial aos produtores locais.

“A experiência surgiu quando a gente ainda comprava via associação. Como não podíamos emitir nota fiscal, surgiu a ideia de criar a cooperativa singular. Hoje nosso carro-chefe é a borracha, a castanha e as frutas, mas a novidade e o sonho da diretoria e dos cooperados é diversificar a produção para café, cacau e açaí, integrando o extrativismo à agricultura familiar”, explicou Zezinho.

Valdemiro Rocha, presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras no Acre (OCB/AC), também sublinhou o papel regulador do cooperativismo no ambiente rural. Para o líder cooperativista, a organização estruturada dentro das unidades de conservação assegura justiça comercial e bem-estar social.

“A cooperativa é um forte instrumento de desenvolvimento econômico e social. Ela permite que o indivíduo alcance coletivamente resultados que jamais conseguiria sozinho. Se não houvesse as cooperativas agroextrativistas atuando nas reservas do Chico Mendes, o extrativista estaria refém de atravessadores. A cooperativa regula o mercado na compra, beneficiamento e agregação de valor”, afirmou Valdemiro, enfatizando a concretização do ideal original do líder seringueiro.

Referência regional para a Amazônia

A importância da agenda em Xapuri despertou o interesse de líderes de estados vizinhos. Uma missão técnica, composta por cerca de 20 dirigentes de cooperativas extrativistas e da agricultura familiar do Amazonas (liderados pela OCB/AC) e aproximadamente 15 gestores cooperativistas de Rondônia (acompanhados pelo presidente da OCB/RO), esteve presente para observar as operações locais.

A participação dessas comitivas interestaduais reforça o papel de destaque do Acre na consolidação da bioeconomia e do cooperativismo florestal na região Norte do Brasil. A experiência de Xapuri demonstra que a Amazônia é um território dinâmico e rico em oportunidades econômicas, onde a conservação ambiental e a valorização das comunidades tradicionais podem coexistir, promovendo prosperidade e sustentabilidade a longo prazo.

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