Rondônia

Turismo de experiência e ecoturismo impulsionam inclusão econômica em pequenas comunidades

Redação

O turismo de experiência e aventura tem se mostrado um motor de transformação para pequenas comunidades brasileiras, atraindo viajantes que buscam contato direto com a natureza e interação com os moradores. Esse modelo, que impulsiona a geração de renda e fortalece negócios locais, foi tema de destaque na Abav Expo 2026, realizada em São Paulo até sexta-feira (2).

Durante o painel “Turismo: o poder de conectar pessoas e promover inclusão social e econômica”, Ana Clévia Guerreiro, analista de Competitividade do Sebrae Nacional, enfatizou a importância do apoio institucional para o desenvolvimento do turismo de base comunitária. Ela destacou que “o suporte das instituições, como o Sebrae, na capacitação, é fundamental para empoderar pequenos negócios, em especial aqueles liderados por mulheres”.

Turismo Comunitário e Empoderamento Feminino

Esse modelo de turismo tem se firmado como uma fonte de renda e um meio de empoderamento para mulheres. No Ceará, o projeto Quintais Gastronômicos, uma iniciativa com o apoio do Sebrae e da prefeitura de Amontada, possibilitou que famílias do município – que inclui os vilarejos de Icaraizinho, Caetanos e Moitas – desenvolvessem negócios lucrativos baseados na culinária regional.

Um exemplo é a cozinheira Josivânia Alves, dona do restaurante Dona Jô, em Moitas (CE). Conhecida por pratos com peixe, lagosta, polvo e mariscos frescos, pescados por seu marido, ela expandiu seu negócio de uma única mesa para dez, atendendo atualmente clientes de diversas partes do mundo. Josivânia se orgulha de não utilizar produtos industrializados e enfatiza a busca por excelência: “Quero que meus filhos atendam com qualidade, sem correria, oferecendo o melhor aos nossos clientes.”

A geração de renda através do acolhimento local também impactou positivamente a vida de Scheila Barros, de Rondônia. Ela prosperou ao inaugurar uma pousada na Reserva Extrativista do Cuniã, uma região de natureza exuberante com lagos, localizada a cerca de 40 minutos de Porto Velho (RO), que abriga aproximadamente 400 pessoas em 100 famílias.

Ecoturismo e Gestão de Segurança

Além da gastronomia e da vivência comunitária, o interesse por atividades de aventura tem crescido. Para apoiar este segmento, o Sebrae criou o Sistema de Gestão de Segurança, que foi apresentado no painel “Sebrae na segurança no turismo de aventura”.

Isabella Montello, do Sebrae MS, destacou que “segurança é parte do dia a dia dos empresários de ecoturismo, inclusive porque aumenta a credibilidade e a competitividade do pequeno negócio”.

Para as empresas do setor, a gestão de riscos é fundamental para a realização de operações de aventura em larga escala. Na Chapada dos Veadeiros (GO), a Travessia Ecoturismo, por exemplo, opera uma tirolesa de 850 metros de extensão e 100 metros de altura e, em 30 anos de funcionamento, nunca registrou acidentes, conforme relatado por Mara Rosa Messerschmidt.

Essa mesma abordagem de segurança guia a Abismo Anhumas, em Bonito (MS), que atrai turistas em busca de uma experiência de desconexão da vida urbana. Felipe Scott, representante da empresa, afirma que a padronização e a prevenção são cruciais: “Segurança é o que torna o extraordinário possível. Sem o pilar de segurança, você vira um aventureiro.”

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