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Evangélicos são alvo de disputa, mas rejeitam uso eleitoral de igrejas

Cidade: Costa MarquesRedação

Dos 54% que se declaram conservadores, 75% apoiam o Bolsa Família e 66% são a favor da taxação dos mais ricos. Como a pesquisa não mede diretamente o que define o voto de cada pessoa, não dá para cravar que as pautas morais são prioritárias.

Outros números revelados na pesquisa também desafiam a associação automática entre identidade evangélica e posições conservadoras em determinados temas morais. Entre os evangélicos, 79% apoiam a educação sexual nas escolas, 80% são favoráveis ao uso de métodos contraceptivos e cerca de 90% rejeitam o homeschooling. Na questão do aborto, a divisão é ainda mais evidente: 47% são favoráveis à punição e 45%, contrários, com diferenças que variam não apenas segundo a religião, mas também de acordo com renda e escolaridade.

"Dizem que eu sou muito progressista para o espaço que entendem como conservador e muito conservador para um espaço progressista. Mas eu me identifico hoje como um cristão", aponta o pastor Lucas, de Nova Iguaçu. "Essa diferença entre conservador e progressista se trata de duas faces da mesma moeda", acrescenta.

Para Lívia Reis, os dados sugerem que as pautas morais funcionam como marcadores de identidade e de pertencimento, mobilizando mais o debate público, mas que elas convivem com posições bem menos polarizadas sobre temas concretos da vida social.

Um episódio recente envolvendo Nossa Senhora Aparecida mostrou como esse debate pode ganhar força fora dos espaços religiosos. O caso veio à tona após surgirem, na semana passada, informações segundo as quais grupos evangélicos ligados à campanha de Flávio Bolsonaro defendiam a destituição de Nossa Senhora Aparecida do título de Padroeira do Brasil. O candidato do PL nega.

Flávio Bolsonaro então acionou a Justiça Eleitoral com a alegação de que o fato era "inverídico" e trazia "discurso de ódio e imputação de crime". Ele obteve uma liminar favorável do ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou centenas de remoções de conteúdos na internet.

No entanto, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou a decisão de Mendonça para liberar a postagem do humorista Antonio Tabet sobre Nossa Senhora Aparecida. Mas, nessa terça-feira (29), uma terceira decisão, desta vez do ministro Luiz Fux, restabeleceu a suspensão das postagens sobre o caso.

Nesta quarta-feira (30), o TSE começou a julgar se mantém a decisão do ministro André Mendonça que ordenou a retirada de postagens sobre Nossa Senhora Aparecida. Até o momento, somente o próprio Mendonça votou no julgamento, no sentido de manter a decisão pela derrubada das publicações. A sessão virtual está marcada para durar até as 23h59 desta quarta.

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