O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) oficializou o registro de Indicação Geográfica (IG), na categoria Denominação de Origem (DO), para o Mel de Capanema, produzido no sudoeste paranaense. O selo atesta que as propriedades do produto são resultado direto de fatores naturais e humanos específicos da região, destacando a interação das abelhas com a flora nativa da Mata Atlântica, preservada nas proximidades do Parque Nacional do Iguaçu.
Impacto para a agricultura familiar
A apicultura na região de Capanema possui mais de cinco décadas de tradição e é sustentada pela agricultura familiar. Atualmente, os produtores integrados à Associação de Apicultores de Capanema e Região (Apic) gerenciam cerca de 5 mil colmeias, alcançando uma produção anual de 60 toneladas de mel. Além do consumo local, o produto é distribuído para estados como São Paulo e Rio Grande do Sul.
Segundo Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, o reconhecimento da Denominação de Origem valida o padrão técnico e a identidade do produto. Para os pequenos produtores, a certificação fortalece a organização produtiva e protege a procedência no mercado, facilitando o acesso a canais comerciais que exigem conformidade e diferenciação.
Contexto das Indicações Geográficas
Com esta nova concessão, o Brasil totaliza 172 Indicações Geográficas, sendo 137 Indicações de Procedência e 35 Denominações de Origem. No setor apícola, o país contabiliza agora 11 registros voltados à produção de mel e própolis. Capanema já possuía um reconhecimento anterior, obtido em 2019, para o melado batido e escorrido.
O processo de obtenção da IG contou com o suporte técnico do Sebrae, que auxilia associações e produtores na estruturação de governança e no cumprimento dos requisitos exigidos pelo INPI. A expectativa das entidades envolvidas é que a nova certificação atraia mais produtores associados e impulsione o desenvolvimento econômico territorial.