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Especialistas divergem sobre avaliação biopsicossocial de diabéticos para inclusão em políticas para pessoas com deficiência

Redação

Especialistas reunidos na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados discutiram, nesta terça-feira (27), os desafios para a regulamentação da avaliação biopsicossocial prevista na Lei Brasileira de Inclusão. O debate focou na situação de pacientes com diabetes mellitus tipo 1, que, desde junho, possuem amparo legal para serem classificados como pessoas com deficiência para fins de acesso a políticas públicas, desde que submetidos a essa avaliação.

Karla Melo Fagundes, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, defendeu que a condição se enquadra nos critérios da legislação por apresentar impedimentos de longo prazo que, em interação com barreiras sociais, limitam a participação plena do indivíduo. Dados apresentados indicam que o Brasil possui cerca de 500 mil pessoas com diabetes tipo 1, sendo 100 mil crianças e adolescentes. O cenário aponta para desafios significativos no acesso a insumos e no controle da doença, com riscos elevados de complicações microvasculares.

Conceito de deficiência

O presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), Roberto Tiné, ressaltou que a deficiência não deve ser definida apenas por diagnósticos clínicos ou patologias. Segundo ele, o conceito reside na relação entre o impedimento físico e as barreiras atitudinais, arquitetônicas e sociais enfrentadas pelo indivíduo.

Representando o INSS, a coordenadora-geral de perícia médica, Marília Gava, destacou que o órgão já realiza avaliações que consideram o impacto da doença na vida em sociedade. Entre 2021 e 2023, foram registrados quase 11 mil casos de concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para pessoas com diabetes tipo 1.

Planejamento orçamentário

O coordenador-geral de Saúde da Pessoa com Deficiência do Ministério da Saúde, Arthur Medeiros, pontuou a necessidade de investimentos para a capacitação de profissionais responsáveis pelas avaliações. A deputada Flávia Morais (MDB-GO), que presidiu a audiência, afirmou que solicitará ao governo a previsão de recursos orçamentários para viabilizar essas políticas.

Atualmente, a legislação já assegura a pacientes com diabetes tipo 1 o acesso a insumos essenciais pelo SUS, como glicosímetros, sensores de monitoramento e insulina, além de garantir direitos como o uso de instrumentos de medição e pausas para aplicação de medicação.

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